quinta-feira, 20 de maio de 2021

Estrela Guia


Por Lúcia Nascimento

Era maravilhoso viver contigo
Sempre vivemos bons momentos
No aconchego do seu abraço amigo
Vivi recebendo seu acalento.

Eu seguia sempre seus passos
Pois sempre me fazia sentir segura
A cada momento aumentava nossos laços
E éramos envolvidos por mais ternura.

Viver com você era como um sonho
Pois todo dia tinha uma nova história
História que não deixava ninguém tristonho
Era simplesmente linda nossa trajetória.

O que vivemos foi intenso e muito especial
Vivemos muitos momentos de plena alegria
Tivemos um intenso amor sem igual
Agora seguirei sempre lembrando de ti minha estrela guia.


quarta-feira, 28 de abril de 2021

Versos Caatingueiros



Mário Moura - Educador e Poeta.

A este bioma totalmente brasileiro
Temos que homenagear
Destacar suas riquezas naturais
E sua preservação conscientizar
De seu uso sustentável, ecoturismo
Esta região também prosperar.

Pouco explorada e rica
Explosão de vida, vida, vida...
É só um pouco chover
Que a paisagem fica colorida
É uma metamorfose ambulante
A ser valorizada e conhecida.

Do vaqueiro e do aboiador
Gente de fé e religiosidade
Do sertanejo, guerreiro forte
E toda sua versatilidade
Os desafios enfrentamos
Somos uma grande comunidade.

Diz-se que aqui reina a secura
A miséria, a morte, a desgraça
Puro preconceito cultural
De insustentável carapaça
Preconceito tolo e servil
A quem defende embaraça.

Isto é a caatinga...
Sou caatinga...
Somos caatinga...
Caatingue-se...
Caatinga!

Dia Nacional da Caatinga - 28 de abril de 2021

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Amizade Literária


Mário Moura - Educador e Poeta.

Essa amizade jamais desprezarei,
Porque com ela pude e posso viajar
Pelos mais infinitos sonhos, fantasias
Lutas, angustias, alegrias e tristezas...

De conhecer a mim mesmo
e o ser humano...

O Anjo bom e Satã que possuo
Nessa arte esplêndida...
... A minha humanidade!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Qual é a felicidade possível nesta vida?


Mário Moura - Educador e Poeta.

Bem, não se pode ir diretamente a felicidade, disso tenho certeza! Quem o faz é quase sempre infeliz, pois a felicidade resulta da essência do humano que é ser uma teia de relações e também do sentido da justa medida no que concerne ao concreto quadro da condição humana. Essa concretude é feita de realizações e frustrações, de violência e carinho, de monotonia do cotidiano e de emergências surpreendentes, de saúde e de doença, e, por fim, de morte.


Ser feliz é justamente encontrar essa medida em relação a essas polarizações, que faz surgir um equilíbrio criativo, não sendo pessimista demais nem otimista demais, mas sendo realista, assumindo a nossa incompletude, tentando diariamente escrever certo por linhas tortas. A felicidade não se faz só, bem como, ela participa de nossa incompletude. Nunca é plena e completa.


Como diz Pedro Demo em Dialética da Felicidade (três volumes - Editora Vozes) "Se não dá para trazer Céu para a Terra, pelo menos podemos aproximar o Céu da Terra... A felicidade participa da lógica da flor: não há como separar sua beleza de sua fragilidade e de seu fenecimento."


Paz e Bem...


16 de fevereiro de 2012.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

2020 se indo...

2020 se indo...

E também tudo o que passamos até então, sem esquecer o aprendizado que fica...

Por mais difícil que tenha sido o ano que se vai, tenho a certeza que não somos mais os mesmos, tivemos que de fato priorizar algo que só falávamos apenas por costume: "saúde, tenha saúde". E de fato a saúde nossa de cada dia se tornou o mote de cada um de nós...

2020 fica marcado pela experiência até então nunca vivida pelo menos nos últimos 80 anos. É verdade que muitos também não levaram a sério, esse quadro geral de incertezas, inclusive potencializando egoísmos/individualismos já tão evidentes. É verdade também que em diversos lugares o cuidado, a compaixão, o desprendimento, o altruísmo, fizeram emergir no consciente coletivo a necessidade de juntos sermos mais fortes, mesmo com diversas vidas perdidas... Sentimentos estes que fizeram nosso alter ego, tirar do humano o que há mais de humano em nós, a nossa humanidade!

É este desejo que almejo para 2021, que sejamos terra fértil, pois humano vem de húmus. Fertilidade é vida e a vida é o maior tesouro que temos por resguardar e cuidar...

Que nossas esperanças que ficaram em 2020, continuem em 2021...

Que assim seja... Oxalá!


Paz e Bem!!!


Mário Moura - Educador e Poeta.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

É Natal...

É natal... Nascimento de Cristo. Natal é presença, sempre!

Bom mesmo é ser presente e o maior deles foi Deus ter-se encarnado para estar no meio de nós. O Emanoel, Deus-conosco. A manjedoura e a árvore de Natal em seu simbolismo querem dizer exatamente isto, estejamos presentes.

Presente também está uma pandemia de um vírus... E quantas presenças hoje não o são porque milhares de vidas ausentes estão na lembrança do que um dia foi... Vida-Morte, Morte-Vida... dialética... contradição, mas sempre a vida prevalece.

Jesus, aquele Menino-Rei veio até nós, como maioria de nós, na simplicidade, na pobreza e no desprendimento... Sua realeza é exatamente ser humano, sem pompas e magnitudes... Pois até mesmo Deus, onipresente foi assim... revelou-se assim... Nu e pobrezinho. Despojado. Humilde e manso. Cordeiro... mesmo que o consumismo venha nos impor o ter sobre o ser... Enquanto a presença no Natal capitalista se faz no individualismo e egoísmo... Aquele que nasceu no estábulo e primeiramente foi anunciado aos pastores nos chama ao contrário...

Deus é presença viva,  presença... apenas isto!

Que sejamos assim...

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Eleições: da cabrestania para a cidadania

Professor Miguel Almir

Política é ação do bem geral
afirmação de direitos coletivos
feita de cidadãos participativos
onde a equidade é fundamental.

Estão chegando as eleições  
é preciso aprumar bem o tino
pra não cair nos falsos destinos 
das armadilhas dos alçapões.   

Diante de tantos banditismos
de maculação da democracia
não mutilemos nossa cidadania
nem nos atemos no servilismo.

Uma vez disse um camponês 
com sua boa sabedoria e visão
eles dão o céu antes das eleição 
e depois vem o inferno de vez.

Antes é tudo bem colorido
muito ornamento, abracinho 
e os diabos viram santinhos  
depois tudo isso é varrido.
Muitos dos que são candidatos 
são os inimigos da democracia
formam quadrilhas de ladroaria
de indecências e de estelionato.

Pandemia de mentira assustadora
a falta de vergonha é arrepiante
deslavadas fakes news flagrantes
onda de malcaratismo aviltadora.   

São muitos lobos bem vorazes 
com pele de ovelhas vestidos
jogando iscas aos desvalidos
para por suas coleiras sagazes.
 
A coisa pública não é privada
a democracia estão degenerando 
e o bem comum emporcalhando
a privataria é muito deslavada.

É repugnante tanta podridão
pra todo lado tem excremento 
o estômago grita: não aguento
essa tamanha abjeta putrefação.   
 
Todo eleitor precisa ser leitor
para saber pensar e pegar visão
ter uma postura altiva de cidadão
suspeitar questionar com destemor.

Chovem trovoadas de populismo 
com suas artimanhas capciosas
de forma tão cínica e acintosa
na enganação do demagogismo.

O voto não é uma mercadoria
não tem preço nossa civilidade
gente não é rebanho e nulidade  
urge romper cabresto, montaria.

Muitos candidatos espertalhões
para bem ludibriar a população
usam o nome de Deus em vão
fabricando as pseudoreligiões.

São muitos vendilhões do templo
que estão abusando da religião
mercantilizando a fé no balcão
estelionatários: muitos exemplos.

Apelam para o emocionalismo
para ofuscar a visão dos fiéis
não verem as máscaras cruéis 
ficando vítimas do imbecilismo.

Antes de votar vamos pesquisar
a trajetória de cada candidato
para não elegermos os ratos
que só vão corroer e depredar.  

Candidato sério e dignificado
é aquele que já tem participação
nas lutas comuns dos cidadãos
de serviços ao bem coletivizado.

Urge as necropolíticas combater
instalando as políticas da vida 
em que a cidadania é a guarida
pros direitos humanos prevalecer. 

Só com nosso coletivo destinar
com consciência de civilidade
espírito de luta pela dignidade
iremos a democracia instalar.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Inscrições abertas para o II Encontro de Escritores Santabrigidenses & Convidados


"Escrever é meu jeito de ficar aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores. Torço que sejam ipês-amarelos..."
Rubem Alves

 

IIº ENCONTRO DE ESCRITORES SANTABRIGIDENSES & CONVIDADOS

 REGULAMENTO

 É do conhecimento de nossa sociedade que o ato de ler e escrever traz muita significância para a vida de cada cidadão.

Pensando na necessidade de se “ficar um pouco mais por aqui”, nós, organizadores estamos lançando o Edital para o IIº Encontro de Escritores Santabrigidenses & Convidados. Esse continuará sendo um espaço onde novos sonhos criarão asas, novos escritores surgirão e os renomados se consolidarão ainda mais na produção literária.

1º - O tema será livre, podendo o (a) escritor (a) propor um Conto, Cordel, Crônica, Pensamento ou Poema.

2º - Todos os textos devem ser enviados até o dia 30/09/2020, acompanhados de uma biografia reduzida de no máximo oito linhas e foto de rosto.

 

DA INSCRIÇÃO:

3º - Poderá participar da Antologia toda pessoa física maior de 18 anos, brasileira ou estrangeira. Caso o (a) participante seja menor de idade deverá ser assinado um termo de autorização pelo responsável (ANEXO II).

4º - A inscrição se dará com o aceite por escrito, da ficha de inscrição (Anexo I), documento que será preenchido, assinado, escaneado, e enviado ao e-mail: encontroescritoressantabrigidenses@outlook.com

5º - A Comissão Organizadora será responsável pelo recebimento dos textos e valores das cotas dos livros para acertar com a Editora e Gráfica.

6º - Serão aceitos somente textos em Língua Portuguesa.

7º - A gráfica selecionada pela Comissão Organizadora desta Antologia estará realizando a edição da obra conforme seus padrões editoriais, estando a Antologia e seus participantes sujeitos aos serviços e prazo da mesma.

8º - Os textos serão enviados ao e-mail: encontroescritoressantabrigidenses@outlook.com, nas seguintes especificações:

Papel A 4

Até 1,500 caracteres

Fonte Time New Roman, 12

Espaçamento simples

1,5 cm de margem

9º - O período para o recebimento dos textos será de 03/08/2020 a 30/09/2020.

10º - O (A) participante que desistir da Antologia não terá a devolução do valor efetuado.

11º - Não havendo o pagamento do valor, o texto será excluído da Antologia.

12º - Será cobrada uma taxa no valor de R$: 30,00. O valor deve ser depositado em uma das seguintes Contas Poupanças:

BANCO DO BRASIL

AGÊNCIA: 0621-1

CONTA POUPANÇA: 60.562-0

MARCOS ANTÔNIO PEREIRA DE LIMA

 

BANCO BRADESCO

AGÊNCIA: 3052-0

CONTA POUPANÇA: 1011650-3

MARIA LUCILENE DOS SANTOS

 

13º - Em caso de fraude comprovada, ou seja, plágio, o texto será excluído automaticamente da Antologia, sem prejuízo para os organizadores.

14º - Para todos os efeitos legais, os (as) participantes da presente antologia declaram ser os (as) legítimos (as) autores (as) dos textos inscritos, isentando os organizadores de qualquer reclamação ou demanda que por ventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele.

15º - A revisão Gramatical das produções ficará a cargo do escritor (a) e não da Comissão Organizadora.

16º - Os organizadores reservar-se-ão ao direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for fazendo a comunicação expressa para os (as) participantes e devolvendo o valor depositado pelo (a) participante.

17º - O lançamento da Antologia será no dia 20 de novembro/2020 na Câmara Municipal de Vereadores – Praça Raimundo Santana Gomes na cidade de Santa Brígida – BA, as 09h00min.

18º - A participação nesta Antologia implica aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.

19º - Cada participante terá direito a 1 Exemplar da Antologia + Certificado de Participação – Os livros restantes serão vendidos em prol da produção da I Antologia de Escritores Santabrigidenses & Convidados.

20º - O participante que morar fora do Estado da Bahia poderá receber o seu exemplar + Certificado de Participação via Correios, mediante o pagamento da TAXA DE ENVIO através do endereço indicado na ficha de inscrição.

 

Comissão Organizadora

Marcos Antônio Lima

Membro Correspondente da Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA)

Membro Fundador da Academia Santabrigidense de Letras e Artes (ASLA)


Mário Henrique Lopes Moura

Escritor, Poeta e Coordenador Pedagógico pelo Município de Santa Brígida - BA

Membro Fundador da Academia Santabrigidense de Letras e Artes (ASLA)


 Marivônia Marques

Secretária de Cultura & Turismo de Santa Brígida – BA


SELIGANAMUSICA®

domingo, 10 de maio de 2020

Ser Mãe

Mário Moura - Educador e Poeta.

Desde quando nascemos para nós filhos, a pessoa que nos gerou, amamentou, alimentou, cuidou... é nossa mãe. Minha mãe. Carregamos este arquétipo de maternidade para o resto da vida. Por conta dessa relação maternal que é bastante simbólica e importante, não nos damos conta de outro lado desta figura feminina, daquela que trabalha, ausenta-se da casa, paga contas, tomas decisões, enfim, muitas das vezes abnega-se de suas vontades e desdobra-se para cuidar dos filhos, da casa e do trabalho.

Nós filhos demoramos a descobrir este lado e quando o fazemos, entendemos que por trás da mãe existe uma mulher. E essa mulher a gente sempre recusa, porque a gente só quer a mãe pra gente. Esse processo abre espaços a aprendizados conjuntos, já que a partir dessa realidade poderemos ser mais que um pai, uma mãe ou um filho.

Neste tempo de pandemia com o isolamento social, quantas mães não estão chateadas por estarem "ausentes", "longe", sem contato com netos, filhos, a família??? Quantos de nós filhos estamos evitando o contato, com nossas mães tomando cuidado para manter a segurança delas???

Para mim neste momento o que importa não é a presença física, mas o amor compartilhado à distância. Este é o melhor presente e singelo abraço que podemos dar, por agora. É descobrir que mãe, nossa mãe, mulher, nesta história toda é a referência que sustenta todos os nossos laços afetivos com ela, com os outros, com o mundo...

Como nos diz Mário Quintana: "Para louvar a nossa mãe,/Todo bem que se disser,/ Nunca há de ser tão grande/Como o bem que ela nos quer".

Paz e Bem!!!

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Ou assumimos nossa coexistência ou sumimos

Miguel Almir - Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Os modelos de desenvolvimento econômico que regem nossa sociedade, sob a égide do capitalismo, em suas diversas vertentes, instalaram visões de mundo que propagam e afirmam concepções e posturas lastreadas no individualismo e na competição como únicos caminhos e modos possíveis de viver em sociedade. 

Diversos/as pensadores/as, pesquisadores/as, sábios/as de tradições ancestrais, pessoas imbuídas de repertórios culturais que primam pelos caminhos da coexistência solidária, da ecohumanização há muito tempo têm alertado sobre o que é flagrantemente óbvio: a predominância da lógica da competição, da supremacia do ter em detrimento do ser, do produtivismo predatório, arrasta a humanidade para a sua própria destruição. Esses modos de desenvolvimento econômico têm se revelado explicitamente insustentáveis pelas consequências devastadoras que proporcionam para os viventes do planeta terra, para o ecossistema. 

A supremacia desses paradigmas incide num desenvolvimento econômico que privilegia o lucro pelo lucro, a riqueza material e financeira de uma pequena minoria através de processos destrutivos das vidas, das relações entre os humanos e destes com a natureza/ecossistema. Um des-envolvimento extremamente utilitário e produtivista, mecânico e funcional desprovido de envolvimento humano, de respeito e de cuidado para com nossas vidas e as de todos os seres com os quais somos interdependentes e complementares.

Os mananciais das mais variadas fontes de sabedorias ancestrais (africanas, ameríndias....), muitas pesquisas realizadas nas áreas das humanidades e de outras ciências, entre outras fontes, nos afirmam, de modo e imperativo, que nós, seres humanos, somos destinados, originariamente, aos vínculos de coexistência, de cooperação, de compartilhamento, de solidariedade. Na proporção em que, direta e indiretamente, somos interdependentes uns dos outros, em dimensões tanto visíveis quanto invisíveis, carece de que cuidemos com afinco e prudência dessa teia in-tensiva de interligação para que esta não se esfiape e se dilacere. 

Para que essa teia de coexistência seja cuidada e renovada constantemente é preciso que cultivemos os valores primordiais da generosidade, do altruísmo, da equidade, da compaixão, dos modos de ser-com, da ecofraternidade. Enfim, do ecoamor que supõe amar a todos os viventes. 

De modo geral, o que mais fizemos nos últimos tempos - salvo as boas exceções -, foi fragmentar e rasgar brutalmente essa teia mediante ações individualistas e competitivas de cunho extremamente mercantil e predatório impulsionadas pela voracidade de um consumismo que, se não tomarmos outro rumo, por fim, nos consumirá. Essas posturas predatórias têm nos levado a uma barbárie civilizóide, a uma brutalização autofágica no reinado do homo stupids.  

Nossa história humana é movida pela gravitação dos fluxos tensoriais, dos germes das contradições que podem potencializar transformações profundas. Muitas vezes, torna-se necessário acontecerem eventos e fatos que revelam crises intensas e impactantes, de forma trágica e dilacerante, para que tomemos consciência (ou não) das ações doentias que estamos tendo para tocar a vida, as relações entre os humanos e com os outros seres viventes.

Foi preciso surgir um microorganismo invisível e imensamente perigoso, em forma de um vírus, com potências corrosivas e letais para provocar uma interrupção abrupta e radical no ritmo frenético e devastador em que estávamos levando nossa vida cotidiana. Uma coroa invisível e espinhosa traz ameaças profundas de morte em massa para a raça humana e, de modo assustador, impõe freios violentos em nossos modos de estar no mundo, impulsionados por essas posturas predatórias em relação às vidas humanas e não humanas que perfazem o ecossistema.  

Considerando uma perspectiva vasta de compreensão humana que inclui e ultrapassa os vãos do saber e nos descortina pelos desvãos da sabedoria, uma das lições que, de modo contundente, podemos aprender, é que, como afirma a expressão africana ubuntu, sou porque nós somos. Ou seja, nessa teia de coexistência que nos interliga de forma micro e macro nos complementamos uns com os outros; nos afirmamos e nos qualificamos humanamente na proporção e que nos entrecruzamos solidariamente. Queiramos ou não, sozinhos não subsistimos. Somos, de modo estruturante, interligados uns com os outros nas travessias de nossas sagas humanas, inter-humanas e ecohumanas.

Parece ficar patente que, ou cuidamos com desvelo e primor dos laços que nos entrelaçam mediante atitudes altruístas e altaneiras ou nos esgarçamos. Ou nos amamos, nos ecoamamos, ou nos armamos, nos devoramos e nos dizimamos. Nossa existência somente pode se afirmar através de nossa coexistência solidária. Ou assumimos essa coexistência ou sumimos. O que nos sustenta, como humanidade, não é a egocidadania mas a ecocidadania. Ou nos entrelaçamos ou nos lascamos!