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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

O que falar da Amizade?

Baby e Zé Cícero
Baby e Zé Cícero

Gilmar, Ivany e filhos

Mário Moura - Educador e Poeta

Amizade significa criar laços. Por isso, só se aprende mesmo o que é Amizade vivendo. O (a) amigo (a) é aquele que vai ao encontro de quem precisa e não espera nada que venha até ele. É renovação para quem dá e para quem recebe. É uma fonte que não retém água para si. Amizade é a descoberta de corações. É afeto, pois implica unidade afetiva. É concórdia, cumplicidade, arrebenta a solidão e o egoísmo, nos torna solidários, responsáveis e cuidadosos.

Amizade é amor, benevolência, encontro de afetos, confiança mútua, cumplicidade, comunhão de sentimentos de vida, de amor e de ideais; é partilhar alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, expectativas e desilusões.

Amizade dá animo e sentido à vida. Torna a nossa vida mais bela e fecunda. Preenche nossa alma, nosso coração. Deixa viva o fogo esplendor de viver!

Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... [...] Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste. Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... [...] Se tu vens, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. [...] Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. (Exupéry, O Pequeno Príncipe).

Por isso, a amizade verdadeira não se pode estender a muitos, porque exige experiência, intimidade, confiança, requerendo convivência e familiaridade, o que não é possível com todos.

Amizade é resgatar o que há de mais humano em nós. É nos tornar melhores. É irmandade, é amar e ser amado!

Dedicado aos amigos de sempre, particularmente a Conceição (Baby) e Zé Cícero, Gilmar (Ing) e Ivany que me proporcionaram nestes últimos 05 dias, a alegria de sua companhia, após infinitos convites (agora atendidos).

Aracaju (SE), 07 de setembro de 2023 - Independência do Brasil.

Paz e Bem!!!

domingo, 17 de abril de 2022

Pessach - nossa Travessia!

 



Mário Moura - Educador e Poeta.

"Por que é que vocês estão procurando entre os mortos quem está vivo? Ele não está aqui, mas foi ressuscitado", indagaram e esclareceram os dois anjos à Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago que no Domingo bem cedo foram ao túmulo de Jesus (Lucas 24.1-6).

A atitude destas mulheres levando bálsamos para perfumar o sepulcro é um sinal de amor, ternura e cuidado, bem como, a surpresa em não encontrar o corpo do Senhor demonstra a nossa incapacidade de entender os propósitos divinos em nossas vidas, do quanto precisamos remover as pedras para superarmos os nossos medos, egoísmos e fraquezas. 

Injustiça, opressão, exploração... morte nossa de cada dia imposta aos milhões de seres humanos considerados descartáveis e inúteis; de uma sociedade cada vez mais indiferente e individualista, coisificando a tudo e a todos, inclusive a Páscoa com seus coelhinhos e ovos de chocolante que no afã do lucro desenfreado deturpa a sua essência e significado próprio. 

Mas, a vida também pulsa... Páscoa - passagem - da decepção para a irrupção do inesperado: a ressurreição. Páscoa é também redescoberta, é recomeço, é renascimento, é reavivamento! Frei Betto nos ensina que não gosta do verbo morrer. Prefere transvivenciar, pois quando nascemos, todos  riem e nós choramos e quando transvivenciamos, ocorre o  contrário. Dessa maneira, crer na vida antes da morte é mister em nosso cotidiano. Exatamente: onde há morte, antes houve a vida e depois virá a ressurreição - a Páscoa! Este é o Mistério da fé cristã, nós ressucitaremos!

Como Maria Madalena e as demais mulheres no túmulo vazio, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Deus é Amor, Deus é Vida e para isto nos criou!!!

Paz e Bem!!!

sábado, 20 de novembro de 2021

EI, ZUMBI ME FAZ REENCONTRAR COM SUA NEGRITUDE EM MIM! (revisado e atualizado)

 

Em 2009 escrevi este artigo exatamente trazendo algumas ponderações em relação ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Hoje compartilho com vocês este texto revisado e atualizado, porém com a mesma força, ternura e militância de 11 anos atrás.

Paz e Bem,

MM


A população negra em nosso país tem como referência principal A LUTA DO QUILOMBO DOS PALMARES pela construção de uma sociedade alicerçada na ética, na justiça, na liberdade, uma sociedade mais humana. Desde o início de nossa história os negros são tratados com inferioridade, sem direitos e relegados a uma vida indigna e desumana. Ainda hoje, os povos negros têm dificuldade em mostrar o seu valor, de serem sujeitos históricos de suas realidades na arte, na cultura, na mídia, na política... na sociedade. Apesar da discriminação, da exclusão – indiferença – existem expressões fortes da cultura afro, que resistem e persistem, no seio das manifestações sociais do Brasil.


SOU NEGRO, SOU LINDO, SOU CIDADÃO

“Ei, Zumbi, Zumbi Ganga meu rei, você não morreu, você está em mim!” Este canto de esperança é um grito, um clamor a Zumbi dos Palmares, herói não apenas dos negros, mas de todo o povo brasileiro. E por quê? A LIBERDADE é o grito do Quilombo dos Palmares, é a autenticidade da luta negra, dos negros escravos da senzala... IGUALDADE é o brado forte dos tambores, atabaques e batuques, cantada e esperançada no sangue derramado, na ternura e resistência pela humanidade negra.

Zumbi e todos que se inquietaram e se inquietam; não se calaram, não se calam; não se omitiram, não se omitem; que acreditaram e acreditam; que doaram e doam suas vidas, na luta pela liberdade e igualdade são os atores que fazem a gente, o Brasil a se reencontrar com a nossa identidade negra.

Apesar de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE em 2019, indicarem que 56,10% (1) da população brasileira é negra, o Brasil ainda está longe de assegurar direitos iguais a todos os seus cidadãos, pois esta superioridade nos números, no entanto, ainda não se reflete na sociedade brasileira. Não há a chamada democracia racial que segundo Gilberto Freyre, a miscigenação entre brancos, negros e índios fora a maneira encontrada pelo país para viabilizar a convivência pacífica e harmoniosa entre as diferentes raças. O mito da democracia racial esconde nos “porões da história”, os processos de exclusão e de marginalização dos negros na sociedade brasileira.

Podemos destacar a sub-representação da população negra no poder do Estado nas suas várias esferas e as desigualdades sócio raciais. A dimensão política da desigualdade racial está estreitamente ligada e exclusão da população negra dos espaços de poder e consequentemente das decisões sobre o destino dos esforços e bens coletivos.

Com relação às posições de poder no âmbito da justiça, por exemplo, dados do Conselho Nacional de Justiça, mostram que havia 14,2% magistrados pardos e 1,4% magistrados pretos em 2013 – último ano com informações disponíveis. A imensa maioria dos magistrados são brancos (83,8%). Nos Tribunais Superiores – Superior Tribunal de Justiça (STJ), Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Superior Tribunal Militar (STM) – os números são ainda menores: 1,3% se declaram pretos e 7,6%, pardos. Em toda a história, apenas três negros ocuparam uma cadeira no STF: os ministros Joaquim Barbosa, indicado em 2003 pelo ex-presidente Lula, Hermegenildo de Barros, nomeado em 1919 e aposentado em 1937, e Pedro Lessa, ministro entre 1907 e 1921 (2).

Na esfera estatal “é visível que os negros não conseguem fazer prevalecer suas necessidades em muitas políticas públicas, pois estão sub-representados em todas as posições de poder” (3).

Na economia e no mercado de trabalho é evidente a exclusão dos negros. Segundo o Pnad de 2003 (4), em torno de 46% da População Economicamente Ativa (PEA) e 48% dos que atuam por conta própria eram profissionais negros, porém emergem desigualdades na representação proporcional com relação a atividade produtiva, pois os negros estão “sobre-representados nos nichos de mercado menos valorizados, como construção civil, comércio ambulante e setor de serviços, que envolvem trabalhos manuais e pesados. No comércio não-ambulante entre as profissões liberais e no ramo de serviços auxiliares de atividades econômicas, que agregam trabalhos e ocupações mais valorizados pela sociedade, estão sub-representados, independente da região” (5). Os negros também são os que mais sofrem com a informalidade, que vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Em 2018, 47,3% das pessoas ocupadas pretas ou pardas estavam em trabalhos informais, segundo o estudo do IBGE. Entre os brancos, o percentual de pessoas em ocupações informais era menor: 34,6%.

No que tange a presença das pessoas negras nos cargos de Conselho de Administração, de direção e gerência das 500 maiores empresas do país, em 2016 (6) no nível mais elevado das hierarquias (Conselho de Administração) dessas companhias apenas 4,9% dos funcionários era negro. Nos quadros executivos, cargos de gerência, supervisão e todo quadro funcional 4,7%, 6,3%; 25,9% e 35,7% respectivamente.

Nesse sentido, quanto mais se avança rumo ao topo das hierarquias de poder, mais a sociedade brasileira se torna branca, este em todos os espaços decisivos para a formação e manutenção de poder. Portanto, esta realidade se configura em uma situação de pobreza política desse grupo, o que contribui na persistente desigualdade racial no desenvolvimento humano brasileiro.

Na sociedade brasileira, a ausência de políticas públicas e sociais direcionadas aos descendentes de escravos e escravas contribuiu para deixá-los na pobreza. “Pobreza não apenas de renda, mas pobreza humana (...) a pobreza humana não enfoca o que as pessoas possuem ou deixam de possuir, mas o que elas podem ou não fazer. É a privação das capacidades mais essenciais da vida, incluindo desfrutar de uma vida longa e saudável, ter acesso ao conhecimento, ter recursos econômicos adequados para uma vida digna e poder participar da vida comunitária, defendendo seus interesses” (7).

A diferença entre o desenvolvimento humano da população branca e o da população negra do Brasil está ligada, sobretudo à renda: Segundo o IBGE, o rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o dobro. Entre os 10% da população brasileira que têm os maiores rendimentos do país, só 27,7% são negros.

Em 10 anos – de 2007 a 2017 -, o Brasil se tornou um país com mais potencial de morte para negros do que para não-negros. A taxa de homicídios de negros cresceu 33,1% no período, enquanto a de brancos aumentou 3,3%. Ou seja, os negros são os que mais morrem e também são a população em que a taxa de mortes violentas mais cresce. Entre todos os estados, o Rio Grande do Norte é o mais violento para os negros. Em 2017, a taxa de homicídios de pretos ou pardos foi de 87 a cada 100 mil habitantes. O índice, o mais alto do país, é superior ao dobro da média nacional – 43,1 negros mortos a cada 100 mil habitantes. Negros também são maioria entre os que morrem em decorrência de ações de agentes de segurança do Estado. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, 74,5% das pessoas assassinadas em intervenção policial são pretas ou pardas. As mulheres negras são vítimas mais recorrentes de homicídios. Segundo o Atlas da Violência, a taxa de assassinatos dessas mulheres cresceu 29,9% de 2007 a 2017. No mesmo período, o índice de homicídio de mulheres não-negras cresceu 4,5%. “Altas taxas de homicídios trazem não só sofrimento físico e psicológico, como também impactos sociais e econômicos. Elas resultam em falta de confiança nas instituições, requerem a administração de um extenso sistema de justiça criminal, ampliam os gastos com saúde e implicam em perda de produtividade econômica, em especial quando essas taxas atingem com mais intensidade a população jovem [...]” (8).

Em 1888, os negros foram libertados da escravidão. Libertados? Deixaram de ser escravos dos senhores de engenho, mas se tornaram filhos rebentos da nação sem nenhuma política social, indenizações que permitisse o mínimo de integração, direitos sociais: foram jogados à rua, nas favelas, nos bolsões de miséria, sem casa, saúde, trabalho, educação... os negros são maioria nos presídios e nas favelas, são a maioria dos analfabetos e recebem os menores salários. O Brasil tem um legado: resolver o seu passado! Daí a importância de políticas e ações afirmativas.

O debate sobre a temática racial no Brasil deve ser realizado amplamente e apesar do abismo existente entre negros e brancos temos conquistas, principalmente no campo das políticas de identidade e de reconhecimento. O estabelecimento do 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra e o reconhecimento de Zumbi dos Palmares como herói nacional são um exemplo. Há também a Lei nº 10.639/2003, que inclui, no currículo escolar, o ensino da história afro-brasileira, bem como a valorização da estética e da cultura negra.

Apesar de alguns revesses a partir de 2016, com o golpe promovido contra a Presidenta Dilma Rousseff em um processo de impeachment bastante controverso e questionável e, a eleição de Jair Bolsonaro que adota uma agenda totalmente anti afirmativa, nos últimos anos, ampliou-se o diálogo com o Estado na luta por direitos, incluindo na agenda nacional o reconhecimento e o combate as profundas desigualdades sociais entre negros e brancos.

Promover uma agenda com políticas e ações afirmativas não é fácil, os desafios são grandes: particularmente incentivar à participação de mulheres negras para ampliar suas presenças nos espaços hierárquicos das empresas, nos poderes executivos, legislativos e judiciário e de políticas de igualdades de oportunidades; aglomerar um maior número de ativistas que provenham das classes populares e que se reconheçam como negros e, participação nos espaços de decisão. Outro ponto a ser mantido é a questão das cotas nas universidades e nos concursos públicos, bem como, na iniciativa privada, e consequentemente a construção de uma agenda que privilegie a luta a favor dos direitos humanos e contra a pobreza, a violência e o racismo no Brasil.

Zumbi, liderando o Quilombo dos Palmares, foi um herói negro das Américas. Palmares é a chama, é o sonho, é a esperança apagada na História dos livros, mas arde em nossos peitos, corações, sentimentos, ideais e almas no nosso caminhar. O 20 de novembro é o nosso símbolo de liberdade, o sonho que deve ser buscado até que o Brasil reconheça de fato todos os brasileiros.

“Ei, Zumbi, nessa terra fértil, outros como você também tombaram ao chão (...) e muitos tombarão, enquanto houver luta pela libertação”.

NOTAS:

(1) Fonte: IBGE, PnadContínua, 2019.
(2) Fonte: Instituto Ethos, 2016.
(3) Relatório de Desenvolvimento Humano – Brasil 2005: racismo, pobreza e violência. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
(4) Fonte: Instituto Ethos, 2006.
(5) Relatório de Desenvolvimento Humano – Brasil 2005: racismo, pobreza e violência. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
(6) Fonte: Instituto Ethos, 2016.
(7) Relatório de Desenvolvimento Humano – Brasil 2005: racismo, pobreza e violência. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
(8) Fonte: IBGE, PnadContínua, 2019.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Relatório de Desenvolvimento Humano – Brasil 2005: racismo, pobreza e violência. PNUD: Brasília-DF, 2005.
FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. 50 ed. Global: São Paulo, 2006.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Qual é a felicidade possível nesta vida?


Mário Moura - Educador e Poeta.

Bem, não se pode ir diretamente a felicidade, disso tenho certeza! Quem o faz é quase sempre infeliz, pois a felicidade resulta da essência do humano que é ser uma teia de relações e também do sentido da justa medida no que concerne ao concreto quadro da condição humana. Essa concretude é feita de realizações e frustrações, de violência e carinho, de monotonia do cotidiano e de emergências surpreendentes, de saúde e de doença, e, por fim, de morte.


Ser feliz é justamente encontrar essa medida em relação a essas polarizações, que faz surgir um equilíbrio criativo, não sendo pessimista demais nem otimista demais, mas sendo realista, assumindo a nossa incompletude, tentando diariamente escrever certo por linhas tortas. A felicidade não se faz só, bem como, ela participa de nossa incompletude. Nunca é plena e completa.


Como diz Pedro Demo em Dialética da Felicidade (três volumes - Editora Vozes) "Se não dá para trazer Céu para a Terra, pelo menos podemos aproximar o Céu da Terra... A felicidade participa da lógica da flor: não há como separar sua beleza de sua fragilidade e de seu fenecimento."


Paz e Bem...


16 de fevereiro de 2012.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

2020 se indo...

2020 se indo...

E também tudo o que passamos até então, sem esquecer o aprendizado que fica...

Por mais difícil que tenha sido o ano que se vai, tenho a certeza que não somos mais os mesmos, tivemos que de fato priorizar algo que só falávamos apenas por costume: "saúde, tenha saúde". E de fato a saúde nossa de cada dia se tornou o mote de cada um de nós...

2020 fica marcado pela experiência até então nunca vivida pelo menos nos últimos 80 anos. É verdade que muitos também não levaram a sério, esse quadro geral de incertezas, inclusive potencializando egoísmos/individualismos já tão evidentes. É verdade também que em diversos lugares o cuidado, a compaixão, o desprendimento, o altruísmo, fizeram emergir no consciente coletivo a necessidade de juntos sermos mais fortes, mesmo com diversas vidas perdidas... Sentimentos estes que fizeram nosso alter ego, tirar do humano o que há mais de humano em nós, a nossa humanidade!

É este desejo que almejo para 2021, que sejamos terra fértil, pois humano vem de húmus. Fertilidade é vida e a vida é o maior tesouro que temos por resguardar e cuidar...

Que nossas esperanças que ficaram em 2020, continuem em 2021...

Que assim seja... Oxalá!


Paz e Bem!!!


Mário Moura - Educador e Poeta.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

É Natal...

É natal... Nascimento de Cristo. Natal é presença, sempre!

Bom mesmo é ser presente e o maior deles foi Deus ter-se encarnado para estar no meio de nós. O Emanoel, Deus-conosco. A manjedoura e a árvore de Natal em seu simbolismo querem dizer exatamente isto, estejamos presentes.

Presente também está uma pandemia de um vírus... E quantas presenças hoje não o são porque milhares de vidas ausentes estão na lembrança do que um dia foi... Vida-Morte, Morte-Vida... dialética... contradição, mas sempre a vida prevalece.

Jesus, aquele Menino-Rei veio até nós, como maioria de nós, na simplicidade, na pobreza e no desprendimento... Sua realeza é exatamente ser humano, sem pompas e magnitudes... Pois até mesmo Deus, onipresente foi assim... revelou-se assim... Nu e pobrezinho. Despojado. Humilde e manso. Cordeiro... mesmo que o consumismo venha nos impor o ter sobre o ser... Enquanto a presença no Natal capitalista se faz no individualismo e egoísmo... Aquele que nasceu no estábulo e primeiramente foi anunciado aos pastores nos chama ao contrário...

Deus é presença viva,  presença... apenas isto!

Que sejamos assim...

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

domingo, 10 de maio de 2020

Ser Mãe

Mário Moura - Educador e Poeta.

Desde quando nascemos para nós filhos, a pessoa que nos gerou, amamentou, alimentou, cuidou... é nossa mãe. Minha mãe. Carregamos este arquétipo de maternidade para o resto da vida. Por conta dessa relação maternal que é bastante simbólica e importante, não nos damos conta de outro lado desta figura feminina, daquela que trabalha, ausenta-se da casa, paga contas, tomas decisões, enfim, muitas das vezes abnega-se de suas vontades e desdobra-se para cuidar dos filhos, da casa e do trabalho.

Nós filhos demoramos a descobrir este lado e quando o fazemos, entendemos que por trás da mãe existe uma mulher. E essa mulher a gente sempre recusa, porque a gente só quer a mãe pra gente. Esse processo abre espaços a aprendizados conjuntos, já que a partir dessa realidade poderemos ser mais que um pai, uma mãe ou um filho.

Neste tempo de pandemia com o isolamento social, quantas mães não estão chateadas por estarem "ausentes", "longe", sem contato com netos, filhos, a família??? Quantos de nós filhos estamos evitando o contato, com nossas mães tomando cuidado para manter a segurança delas???

Para mim neste momento o que importa não é a presença física, mas o amor compartilhado à distância. Este é o melhor presente e singelo abraço que podemos dar, por agora. É descobrir que mãe, nossa mãe, mulher, nesta história toda é a referência que sustenta todos os nossos laços afetivos com ela, com os outros, com o mundo...

Como nos diz Mário Quintana: "Para louvar a nossa mãe,/Todo bem que se disser,/ Nunca há de ser tão grande/Como o bem que ela nos quer".

Paz e Bem!!!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

O Mistério da Cruz

Mário Moura - Educador e Poeta.

Sexta-feira Santa é o dia do silêncio e da adoração, no qual meditamos a Via-Sacra, a Paixão de Cristo e que percorremos com Jesus o caminho da dor que leva à sua morte, uma morte que, sabemos, não é para sempre! A Via Crúcis de Cristo é sacrifício: é o Deus Conosco que se imola!!!

E hoje como Cristo, carregamos nos ombros a pesada cruz, da pandemia do Covid-19. Quantas pessoas morrem nos hospitais sem a presença de familiares. Quantos profissionais da saúde estão arriscando suas vidas para salvar outras vidas?!?!

O Mistério da cruz é o mistério da Luz, da nossa fé: é o âmago da fé, cristalizada no Jesus presente-vivo na Santa Eucaristia!

Cristão de verdade não põe na cruz, não crucifica ninguém: tira/desce da cruz!

Paz e Bem!!!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

E A FELICIDADE?

Mário Moura - Educador e Poeta.

Ser feliz é algo passageiro, e estar/ficar feliz é algo retilíneo e contínuo. Para Mario Sergio Cortella “Se a felicidade pudesse ser um estado contínuo, nós não a perceberíamos, assim como não percebemos nossa respiração, exceto carência, quando o ar nos falta.”. No dia a dia temos que transformar a felicidade não numa técnica, mas em arte: a arte da convivência, de saber renunciar, de relativizar os problemas e a arte mais sútil está nas pequenas coisas e isto é muito simbólico.

O capitalismo se tornou a cultura do capital e nós somos vítimas dessa cultura. Temos que trocar o sapato, o aparelho celular, a roupa, a tv... é uma situação sem fim, na ilusão que o consumo traz a felicidade. Eis o desafio: como ser feliz? Para Saint-Exupéry no livro Cidadela, o ser humano é um nó de relações voltadas em todas as direções. Onde está a felicidade? Santo Tomás de Aquino diz que tudo que nós fazemos mesmo quando praticamos o mal, estamos fazendo em busca da felicidade. Isso vale para a Santa Dulce dos Pobres, vale para Suzane Von Richthofen, vale para Malala Yousafzai, vale para Jair Bolsonaro, vale para mim e a você. A felicidade depende basicamente do sentido que nós imprimimos a nossa vida.

O sistema hoje nos incute, principalmente nos jovens, quatro falsos valores que vem movendo gerações: poder, riqueza, fama e beleza. Faltou isso haja depressão, medicamentos, terapia... mais uma vez: nessa cultura consumista, nós somos/estamos condenados a infelicidade.

A felicidade é simples e nós perdemos um pouco essa percepção da felicidade como simplicidade do gesto, do abraço, do afago, da partilha. Simplicidade e não banalidade. A felicidade não é constante, mas também não é ausente. Ela tem que ser procurada, onde pode ser encontrada. Ela pode ser encontrada de dentro e de fora se estiver no simples e na capacidade da bem-aventurança.

A felicidade é possível num mundo de desespero? Claro que sim, desde que nós não obscureçamos os momentos em que ela possa vir à tona. Detalhe: a felicidade não vem à tona sozinha, ela tem que ser gestada nesse tempo, nós temos que escavá-la.

A ideia de felicidade está ligada a ideia de fertilidade. Nos sentimos felizes quando sentimos que a vida não cessa, que ela pulsa em nós, naquele gesto, naquele movimento, naquela utopia, naquele desejo... neste sentido, a felicidade é altamente erótica, isto é, ela é uma energia de movimento vital possuindo uma sensualidade e quando nos sentimos num momento feliz, nos sentimos bem à beça. Nos sentimos cheios de graça. E como nos aconselhou Mário Quintana: “Felicidade não é correr atrás de borboletas, mas cuidar do jardim para atraí-las.”.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Sobre o Natal...

Vamos viver o Natal cristão...
Vamos deixar o Menino-Deus falar aos nossos corações o que realmente é essencial na vida...
Deus nos mostrou que valores deveremos ter: Ele se fez pequeno em uma estrebaria, pobre como os pobres...
Sem palácios, sem riquezas, somente com os pobres, os excluídos de outrora...
Anunciado a quem mais eram execrados: os pastores...
A nós que tanto procuramos status e posição este Menino-Deus ensina-nos a humildade...
Que nesse Natal renasça em nós a esperança. E como precisamos dela...
Que a Luz da criança seja o caminho...
... A Verdade
... A Vida...
E Vida plena e em abundância...

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Que neste Natal

Que neste Natal os sentimentos de solidariedade, compaixão, compromisso e amor pelo próximo, principalmente os mais pobres, os excluídos - tidos como zeros econômicos e descartáveis - pela sociedade de consumo e de mercado -, sejam reavivados à luz da criança que veio ao mundo para redimir os nossos pecados, através de Deus que se tornou conosco com Cristo Jesus!

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

sábado, 30 de março de 2013

Paixão, Morte e Ressurreição: nossa travessia

Mário Moura - Educador e Poeta.

Há um hino da liturgia cristã da Páscoa, que nos vem do século XIII, que se canta: "a vida e a morte travaram um duelo; o Senhor da vida foi morto, mas eis que agora reina vivo”. Aí está o sentido cristão da Páscoa e seu Mistério: o que parecia derrota era, na verdade, uma estratégia para vencer a morte. Na sepultura de Jesus não cresceu a grama, porém ressuscitado, garantiu o poder supremo da vida. Nesse duelo a vida venceu a morte!

Essa mensagem está presente no mais profundo sentido humano que é a religião, contudo o seu significado não se inscreve apenas nela. Hoje mais que nunca tem uma relevância cósmica – universal - onde travamos esse duelo contínuo, presente em todo planeta Terra, abrangendo toda a comunidade de vida – inclusive a humana.

Existe um combate entre os mecanismos naturais da vida e os mecanismos artificiais que produzem a morte graças ao nosso modo de conceber a vida e a natureza, de ver, de pensar e de agir. O nosso jeito de morar, produzir, consumir e de tratar o lixo – os despejos – nos desumanizam. Nós humanos somos os primeiros a serem afetados por esse sistema. Maioria não tem as condições mínimas para viver com dignidade, subjugadas em todas as dimensões e imoladas pelas inúmeras guerras e pela fome insaciável das grandes corporações que só enxergam o lucro. A humanidade se encontra dividida entre aqueles 20% (1,3 bilhão) que controlam 83% das riquezas e dos recursos da natureza, consumindo pomposamente e que se consideram incluídos no sistema mundial da globalização e os 80% da população mundial (5,2 bilhões) que devem se contentar com os restantes 20% de meios de vida, excluídos dos benefícios da moderna sociedade de informação e de conhecimento. As outras vítimas são todos os ecossistemas, a biodiversidade e o planeta Terra como um todo.

Estamos na semana da Paixão. Cristo foi perseguido e assassinado porque queria a vida em abundância (Jo 10,10), o que o sistema político e religioso de sua época privava à maioria do povo. Morreu na cruz porque pregou o amor, a verdade e o Reino (Mt 5, 1-12).

O sistema econômico, político e religioso atuais leva à morte quem prega a vida, quem luta pela igualdade e justiça, quem quer a democracia.

A morte de Jesus não foi definitiva. No domingo de Páscoa, houve a passagem e a Ressurreição. Sua mensagem continua viva e atualíssima, afiada na sua Verdade e proposta de Justiça. Os caminhos que temos percorrido nos últimos séculos, optando pela acumulação ilimitada de ganhos, a apropriação indevida dos recursos públicos, a corrupção e a exploração sem freios dos recursos naturais da Terra, só trazem paixão e morte e não nos levam a passagem – a Páscoa.

Cuidar do nosso único planeta, cuidar dos seres vivos, cuidar por uma sociedade sustentável, cuidar do outro, cuidar dos pobres e excluídos, eis a nossa Páscoa! E essa travessia não se faz sem espanto-admiração, contradições entre o velho que teima em ficar e o novo que se empenha em nascer, sem sofrimentos consideráveis.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência diante da vida, por um compromisso firme de se alcançar a justiça e a paz e percorrer os caminhos do amor e a alegre celebração da vida.

Feliz Páscoa a todos e todas.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

QUE NO ANO-NOVO QUE SE APROXIMA, ACIMA DE TUDO, IRROMPA A NOSSA HUMANIDADE.

2012 chega ao fim e com ele a esperança de um 2013 melhor.

Mesmo com toda a infelicidade que nos ronda: ocupações genocidas na Palestina e no Afeganistão, sob a égide imperialista-capitalista e tutela dos norte americanos; dos colóquios que salvam a lucratividade em detrimento da sustentabilidade, reforçando a exploração irracional dos recursos naturais da nossa Casa Comum - o Planeta Terra -; as milhões de crianças que passam fome na África; a seca que atinge o nordeste brasileiro; a violência; a corrupção..., dos bilhões de "condenados da Terra", expropriados de uma vida digna, excluídos pelo deus-mercado, que só enxerga no poder ter, o alcance da felicidade plena (vide os anúncios com suas propagandas irrecusáveis), podemos ainda desejar o melhor. Mesmo que seja por omissão ou opção somos os responsáveis pela falta de felicidade. Porém, podemos a partir dessa experiência, tirar a motivação para superarmos essa realidade e buscarmos "um outro mundo possível".

O Ano só será novo de fato, se o velho que reside em nós e a nossa volta seja vencido. Se tivermos a coragem de irromper o que há mais de humano na gente: o amor, a compaixão, o cuidado, a ternura e o compromisso para com nosso próximo e a vida em todas as suas dimensões, engravidar-se de nós mesmos, revirarmos tudo pelo avesso e aí sim, "sentir os gritos dos famintos, o gemido da Mãe Terra, a dor das florestas abatidas e a devastação atual da biodiversidade." (Leonardo Boff).

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Que no Natal a eterna criança em nós, reviva a esperança do Reino de Deus!

Foto: http://gomaearte.arteblog.com.br/29128/Presepio-Artesanal/
Com o nascimento de Jesus, Deus se encarna e se humaniza. O Deus-Conosco, vem e surge como uma criança.

Que nesta Festa, sejamos sensíveis a experiência de Deus como Pai com características de mãe, o amor incondicional, a misericórdia e a entrega radical a promoção do Reino de Deus, sejam o nosso sonho, projeto de mundo e de vida...

Que todos nós possamos olhar com os olhos do coração e a esperança não pereça, pois, precisamos dela nesse mundo tão racional, frio, consumista, individualista, materialista; onde milhões passam fome, sem casa, emprego, vidas dignas...

Que a Estrela de Belém nos mostre o caminho e nos faça (re) encontrar com o Emanuel e com a criança que mora dentro de nós...

"Ele é a eterna criança, o Deus que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que é divina”.

É com essa frase do poeta português Fernando Pessoa, que finalizo meu desejo natalino a todos.

Paz e Bem!

Mário Moura - Educador e Poeta.

domingo, 20 de maio de 2012

20 de maio - Dia do Pedagogo

Mário Moura - Educador e Poeta.



Ser pedagogo não é apenas ser Professora / Professor, Coordenadora / Coordenador... É mais que isso. É responsabilidade... E das grandes, pois em nossas mãos estão os futuros médicos, advogados, engenheiros, jornalistas, políticos e tantos outros profissionais e atores sociais.

Que valores éticos, morais e cuidantes estamos compartilhando???

Ser pedagogo é acreditar acima de tudo no ser humano. É proporcionar que se tire da pessoa o que há de mais humano nela: o Amor, a Solidariedade, a Compaixão, o Compromisso, a Ternura, a Resistência, a Persistência, o Cuidado... É formar pessoas cidadãs, criticas e questionadoras e não simples reprodutoras do conhecimento, alheias a realidade social e aos problemas da existência humana.

Quanto é difícil ser hoje pedagogo em uma sociedade que se diz "globalizada", pregando justamente o contrário, valorizando o ter e não o ser, o individualismo e materialismo exacerbados, o consumismo e a competitividade, o "cada um por si". Nós mesmos somos assim. Quantas vezes competimos a qualquer custo com nossos colegas de educação, por pura vaidade e egocentrismo?

Mas, mesmo assim com todas as contradições que envolvem a sociedade, o ser humano, a Educação, a escola... Nós pedagogos temos uma nobre missão e jamais poderemos abdicar dela, pois dedicamos nossas vidas e nosso tempo na humanização da sociedade e das pessoas. Fazemos da esperança e do amor caminhos para promoção da Vida, da Dignidade, do Novo, do belo, do diferente. Fazemos com a nossa entrega e nosso Cuidado o Mistério da Educação.

Paz e Bem!!!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Exultemos...

O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas.” (Is 9, 1).

Exultemos todos no Senhor: nasceu-nos o salvador do mundo, do céu desceu a verdadeira paz e felicidade. Na frágil criança contemplemos a revelação de Deus na história da humanidade. “Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!” (Lc 2, 14), é o Deus Conosco que se fez gente para nos tornar divinos, mais humanos, fraternos e solidários.

Feliz e santo Natal a todos!

Paz e Bem!!!

Mário Moura - Educador e Poeta.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Reflexões...

Mário Moura - Educador e Poeta.

Jamais poderemos entender o futuro, ele é escrito hoje e no dia-a-dia, por nós autores principais.

Se escrevemos os capítulos carregados de amor, paz, cuidado, esperança, ternura, resistência, fé, alegria..., a história será boa e interessante com final feliz.

Mas se o ódio, a amargura, a inveja, a hipocrisia, a descrença..., conduzirão o enredo até o final, aí será tarde para reescrevê-lo, porque a última folha terá passado e assim fechado para sempre a história a qual deixamos para trás...

Então jamais deveremos deixar para amanhã o que poderá ser (re) construído hoje.

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz" e de ser melhor.

Paz e Bem!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

POLÍTICA, CIDADANIA, ÉTICA E AS ELEIÇÕES 2010

Mário Moura - Educador e Poeta.

As eleições de 2010 acontecerão no dia 03 de outubro e nela escolheremos o novo presidente/presidenta, os governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, os representantes do Congresso Nacional (Senadores e Deputados Federais) e das Assembleias Legislativas (deputados estaduais). Será o momento em que decidiremos as nossas vidas e a vidas da nossa nação pelos próximos quatro anos. Por isso estar conscientes que o voto-cidadão é um dos pilares a elaboração de políticas públicas fundamentais que assegurem o desenvolvimento com inclusão e justiça social é de suma importância. Antes, porém precisamos discutir sobre três princípios estruturantes nesse processo: a política, a cidadania e a ética.

É na política que se decidem coisas importantes para a nossa vida: educação, saúde, trabalho, meio ambiente, habitação, infra estrutura, previdência social, instrumentos de participação popular, etc,. Originalmente na Grécia antiga, a política era o espaço da liberdade e ser cidadão implicava em participar de um espaço público onde pudesse manifestar suas idéias e contribuir a fazer / iniciar algo completamente novo. Em outras palavras, se traduzia na “polis”, ou seja, o homem é o cidadão, que vive e participa da sociedade política.

Podemos dizer que ser cidadão/cidadã é ter direitos. Que direitos são esses? a) o direito à vida, à igualdade ante as leis, à propriedade (direitos civis); b) a participação nos espaços de decisão da sociedade (direitos políticos); c) a participação de todos, sem distinção de classe, etnia e credo religioso, na distribuição de renda, o direito ao trabalho, a saúde, a moradia, a educação, a cultura, a uma vida digna (direitos sociais), bem como, cumprir com seus deveres.

O que é ética? Podemos afirmar que é uma ciência que estuda os juízos morais referentes à conduta humana. “É uma realidade da ordem dos fins: viver bem, morar bem. Ética tem a ver com fins fundamentais (como poder morar bem), com valores imprescindíveis (como defender a vida, especialmente a do indefeso), com princípios fundadores de ações (dar de comer a quem tem fome), etc” (Leonardo Boff).

E A GENTE, O QUE TEM A VER COM ISSO?

O mundo hoje vive uma crise de paradigmas e esta está ligada a três grandes problemas: a crise social, a crise do sistema de trabalho e a crise ecológica. Nos últimos anos do século XX e início do século XXI, aumentaram de forma impressionante o nosso conhecimento e a tecnologia: conseguimos decifrar e manipular o genoma humano, iniciamos a era espacial e a descoberta de novas teorias a respeito do universo. Não é a toa que a atual sociedade é chamada da sociedade do conhecimento e da comunicação.

Em contrapartida, aumentaram assustadoramente as desigualdades entre ricos e pobres (crise social), a expansão da robótica e da informática, aliados a revolução tecnológica e a automação da produção, descartaram o trabalho humano e criaram milhões de excluídos no mundo todo (crise de trabalho), também aumentou-se o desequilíbrio no meio ambiente provocado pelo uso e descuido dos recursos naturais (crise ecológica). Não temos a ética e a política adequadas para vivermos melhor, apesar de todos os recursos científicos que possuímos.

E o Brasil e nossa cidade? Nós homens, mulheres, jovens, trabalhadores, estudantes, militantes, etc., oriundos das classes populares, dos subúrbios, do campo, dos vários recantos..., temos idéias, esperanças e lutas. E um projeto para o Brasil deve ser pautado em alguns pontos: Primeiro: o processo democrático em curso no país exige de cada cidadão/cidadã postura de engajamento e compromisso político-social. Essa postura baseia-se na responsabilidade e o respeito pelo bem público. Segundo: nós somos responsáveis em fazer acontecer o nosso presente e projeto do futuro para que nossa cidade, nosso país, nosso estado e o mundo tenham uma economia solidária, uma política alicerçada na democracia, socialmente igualitária, pluralmente cultural e com sustentabilidade ambiental. Terceiro: somos atores e sujeitos na história e para tanto é preciso ter consciência do nosso papel e como funcionam as engrenagens das relações de poder no bairro, na escola, no trabalho, no partido político, no poder público, etc,. Essas tarefas exigem que comecemos a agir por onde conhecemos mais, por onde construímos e carregamos nossas identidades. Construir e carregar uma identidade implica em conhecermos a nossa história pessoal e a história política, econômica e cultural de onde pisamos e estamos, quem foram e quem são os responsáveis pela gerência pública e qual a função do cidadão/cidadã no controle do poder local. Quarto: queremos ocupar espaços de decisão elegendo pessoas que tenham um compromisso político-social e ética para serem porta-vozes do povo, no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, nos órgãos de controle social, conquistando e acompanhando políticas públicas que respondam aos desejos da população e que reforcem a responsabilidade do Estado com a educação, saúde, habitação, etc., de qualidade e gratuita. Quinto: o exercício da democracia é uma atividade ousada, plural, inclusiva e coletiva. Nós precisamos como lideranças incentivar a todos os atores sociais ao fortalecimento da cidadania e de uma consciência crítica e da articulação com os movimentos sociais.

NO VOTO REFORÇAMOS A DEMOCRACIA: SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS!

A democracia não se resume apenas em votar, já que ela só existe se a vontade do povo se identifica com a vontade do governo. Votar é apenas a expressão mínima da cidadania, já que reflete a revelação de um desejo que se dá através de uma decisão. Porém é no voto que cada pessoa expressa no âmago a sua atuação como cidadão. Neste sentido, ser cidadão é participar na construção da cidade / polis, dizendo suas palavras, expressando seu ser político em profundidade, contribuindo no planejamento com suas idéias e anseios em todos os momentos e situações possíveis, não apenas de quatro e quatro anos.

Quem não vota é um cidadão capenga, limitado, que renuncia a pensar e mudar o lugar onde vive. Como também votar de forma irresponsável e errada significa pôr em risco o processo democrático e possibilitar que os nossos velhos conhecidos “coronéis” de sempre e corruptos de carreira ocupem o espaço da política e barrem que os verdadeiros, cidadãos/cidadãs possam transformar a realidade social, ecológica e humana.

Ao sairmos pelas ruas e nos diversos espaços, percebemos que o assunto do momento gira em torno da política como se em algum outro momento isso não existisse, e como se todos nós não fizéssemos parte disso. E o pior é que se ouve com muita freqüência “odeio política”. Um país que tanto lutou para reconquistar a democracia e o direito ao voto, não pode abominar através de seus cidadãos/cidadãs um dos seus principais pilares.

Apesar da melhora nos índices sócio-econômicos, o nosso país, tem uma realidade ainda preocupante: uma minoria privilegiada com direitos, milhões de analfabetos (14,2 milhões), desempregados (8,4 milhões), pobreza extrema (20,1 milhões)1 , além do mais, a impunidade, a desorganização civil e a dificuldade de reivindicarmos os nossos direitos são males ainda presentes. Dessa maneira, não podemos nos dar ao luxo de termos memória curta e de esquecer o curso da história, bem como, trocar o nosso voto por favores pessoais, algumas cestas básicas, cimento, telhas, tijolos, consultas médicas, combustível, próteses dentárias e tantas outras. Se paga um alto preço pela memória curta: repetir erros. A cesta básica e os favores pessoais passam e acabam, porém o estrago que determinado político profissional possa fazer dura muito tempo e desta maneira, interfere diretamente em nossas vidas. Quando esquecemos o princípio do bem-comum e trocamos o nosso voto por desejos particulares, estamos nos condenando a fazer dele um favor, uma esmola! Perdemos a nossa dignidade como seres humanos quando nos contentamos com as migalhas que nos jogam e oferecem!

Neste sentido, temos que repudiar o que vem ocorrendo na atual campanha eleitoral. A mesma tem a função constitucional de consentir que cada candidato inscrito no pleito, possa apresentar suas propostas de governo e plataformas de atuação nos parlamentos, com o intuito de no máximo possível detalhar as suas idéias, e assim convencer os eleitores a apoiá-las através do voto.

Infelizmente não é isto que está predominando no processo, pois o clima de acusações entre candidatos, a pretexto de episódios obscuros, sem fundamentação nenhuma, jogada à opinião pública com o evidente intento de servirem de pretexto para desestabilizar candidaturas adversárias é um mote. Ao invés do debate com clareza e objetividade em levantar problemas e apresentar propostas de soluções, são impostos para nós a qualquer custo e preço atos escusos que ferem a ética, a cidadania e a Constituição. Isto não é democracia, isto é golpe!

Para tanto, é necessário fazer valer a Lei Nº 9.840 de 29 de setembro de 1999. Como cidadãos/cidadãs cabe a nós identificar todas as irregularidades que estejam sendo cometidas em termos de compra de votos e de uso da máquina administrativa e levá-las ao conhecimento da Justiça Eleitoral. Outra importante conquista foi a aprovação da Lei Complementar nº 135/2010, conhecida popularmente pela Lei da “Ficha Limpa”, de iniciativa popular (mais de 2 milhões de assinaturas), onde cidadãos condenados por qualquer órgão colegiado, composto por magistrados, não estariam habilitados a concorrer a cargos políticos em uma eleição.

O voto é muito importante e, através dele estamos construindo a história de nossa cidade, de nossa sociedade e de nosso país. Neste sentido, as eleições constituem-se um momento singular, pois todo candidato é chamado a assumir responsabilidade política para comprometer-se com o povo. Sabemos que as grandes questões e problemas mundiais, nacionais e locais não se resolvem com a eleição de um homem ou uma mulher para ocupar determinados cargos, mas quem vai ocupá-los deve estar ciente de seu papel sócio-político. É preciso também desmistificar certa visão messiânica ou apocalíptica das eleições, bem como, criticar a idéia de que todo político é “corrupto”, “ladrão” e “igual”. Temos que separar o joio do trigo.

O importante mesmo é a definição de novos modelos de Estado e país com uma ampla reforma política e isso só vai concretizar se não bastar-nos apenas em inserir o voto na urna. Nós temos a obrigação ética de acompanhar os representantes eleitos de forma colaborativa e cobradora para que os compromissos de campanha sejam cumpridos.

Por causa da atual crise ética e política com escândalos de corrupção e mau uso do dinheiro público, muita gente está decepcionada e desiludida. O que preocupa é que este afastamento da política está parindo pessoas indiferentes a realidade, porém muitos também vêem nesse momento, ocasião para o amadurecimento e aperfeiçoamento das instituições democráticas do país e assim construir um Brasil de fato, onde o Estado de Direito cumpra o seu dever respeitando a cidadania que cada um de nós possui.

A política não é apenas algo que envolve discursos, promessas e eleições, nem algo sujo, distante e satanizado. É sim, a busca do bem comum, alicerçado no respeito pela pessoa e a diversidade, na afirmação do bem-estar social e na existência de uma sociedade justa, democrática e igualitária.

Exercer a cidadania, a ética e a política não é fácil, talvez nunca seja, pois cada uma delas carrega na sua essência o pluralismo e a dinâmica das transformações. E promover transformações é um grande desafio. Cabe a nós sermos os protagonistas dessa bonita e terna história! Eis os nossos motivos mais íntimos para jamais perder de vista um novo Brasil, nossas esperanças, lutas, sentimentos, amores... convicções!

1 Pnad - IBGE, 2009.

sábado, 2 de janeiro de 2010

QUE 2010 SEJA MUITO MELHOR QUE 2009!

Que 2010 seja muito melhor que 2009...
que a gente não desanime...
que os nossos compromissos e a nossa fé estejam inabaláveis...
E muita Luz nos nossos caminhos, para que a gente não perca o sentimento de indignar-se e possamos a partir dele construir e sermos pessoas melhores com um mundo a qual desejamos...

Mário Moura - Educador e Poeta.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010: ALGUMAS REFLEXÕES

Mário Moura - Educador e Poeta.

O novo sempre vem porque o velho precisa ser superado. Mas este exige uma condição: que tenhamos coragem e forças para (re) formularmos ou (re) inventarmos as respostas as quais tanto buscamos e que interagem com todas as nossas dimensões da vida.

Caminhar nesse sentido, não quer dizer que devamos esquecer o passado só por ser passado, pelo contrário, ele é um baú que guarda as nossas grandes experiências humanas, pois nele o que vivenciamos são algo de extremo valor. E é exatamente esse tesouro que nos ajuda a termos um novo olhar sobre nós, nossa realidade, sobre o que nos transcende... sobre a vida!

Esse é um compromisso que devemos assumir para fazermo-nos pessoas melhores – e construir um outro mundo possível, sem excluídos, sem famintos (que já passam de um bilhão de pessoas – segundo dados recentes da ONU), sem o latifúndio, sem a exacerbada exploração da nossa Casa Comum a Mãe Terra, que tanto nos acolhe e nos ama!

E assim vamos, com todo espírito de responsabilidade trabalhar e se engajar profundamente na realização dos sonhos que correspondam aos desafios postos a nossa frente, abertos a crítica e a autocrítica, dispostos sempre a aprender.

Que no novo ano que se inicia, possamos viver cada momento com a intensidade, a ternura e a esperança que o mesmo exige, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus.

Paz e Bem não nos faltarão...